Não somos anjos. Por mais que algumas canções insistam em afirmar isso. E a
Obra que O Senhor faz em cada um não acontece somente em plano espiritual.
Ela se desenrola na história humana atingido nossa humanidade por completo.
Ainda mais aquele ou aquela que procura servir verdadeiramente ao Senhor.
Todo filho de Deus carrega em si um pouco de Santo Antão, o Santo de
Deserto. Chamado o pai de todos os monges, Antão foimarcado em sua vida por
um profundo desejo de amar e servir a Deus abdicando-se de coisas que seriam
coumuns, desejos e vontades “normais” para viver uma vida de total
subserviência.
Contudo, duas características marcam a vida e a história deste grande homem
de Deus: ascese e combate. Santo Antão, em certo momento de sua vida,
gastava-se muito em combates ferrenhos paradefender a sua fé.
Conta-se que, todas as tardes um leão feroz aproxima-se do acampamento do
Santo para provar-lhe a fé. Voraz, queria matar Antão e servir-se de sua
carne. O leão não era bobo. Sabia a qualidade da carne de um santo. E o
Santo lutava bravamente para desender sua própria vida e seu o local aonde
morava.
Em uma bela tarde, após violento combate com o leão, o Antão resolveu que
estava muito cansado da mesma luta. O leão não mudava. E fora rezar.
Reclamou. Sem medo de Seu Deus perguntou o porque destas lutas tão massantes
e desgastantes. Porque sempre a mesma coisa. E pediu para que O Senhor
afastasse este combate.
Deus, em Sua imensa bondade e misericórdia concordou com o pobre filho
cansado. Viu que realmente Antão tinha razão. Ele estava machucado, ferido
profundamente. Generosamente, Deus responde ao Santo: “Ver-te lutar me é tão
prazeroso e causa-me tanta felicidade que Eu colocaria eternamante leões em
tua vida, só para olhar-te vencendo por amor a Mim”.
“Por amor a Mim”. Que frase fortíssima. Que segredo revelado. Que vitamina
para os coprpos cansados de Deus e da Igreja. Que recomposição para aqueles
que largaram as monótonas lutas pela felicidade de seus casamentos e de suas
famílias. Que novo vigor para os que se cansaram de suas vocações. Que lucro
para carismáticos esgotados.
O tempo em que vivêmos é um tempo de excessivo cansaço. Um tempo que se
traduz como ranhura, machucado, ferida. E é natural que cheguemos ao “final
da tarde” estafados e gritemos ao Senhor: “Chega! Cansei. Fiz tudo o que
podia. Preciso parar um pouco”.
Mas a obra não é nossa.A desistência não é opção para quem descobriu que a
Graça suplanta tudo. Desistir é o caminho errante. Quando alguém “larga
tudo” é porque nunca agarrou a obra como vontade de Deus. Quando alguém
“sai” da caminhada na verdade nunca entrou. Aquele que sabe que a obra é do
Senhor cansa, estafa, pode até deprimir-se mas vai até o fim.
Mas, “se com tua boca confessares que Jesus é O Senhor” (Rom. 10,9) e que
não há discípulo maior que o Mestre, compreenderemos aquilo que fora
revelado a Santo Antão. Que “seja qual for o grau em que chegamos, o que
importa é prosseguir decididamente” (Filp. 3,16).
Ou decido desistir ou decido continuar. Uma é decisão humana. A outra, é do
Espírito.
Silvinho Zabisky
Fundador da comunidade Beatitudes.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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